A profusão de movimentos, cores, devoção, dor, alegria, festa e fé é o que se vê impresso em Bem Aventurados. O catolicismo popular retratado em sua forma e conteúdo, levando-nos à experiência de fé que muitos de nós já vivemos ou ouvimos ser contada e recontada por familiares, amigos e vizinhos: a experiência do sagrado , do profano e do sacrificio da romaria e das promessas.
A aparente confusão da cidade faz parte de uma organização barroca e kitsch. Assim, a dinâmica da devoção e da fé mobiliza pessoas, votos, palavras e objetos de todo feitio, mas também aciona tempos e espaços diversos: o cotidiano reveste-se de um tempo espetacular, único — o tempo da promessa. O perímetro urbano comum da cidade reconfigura-se a cada ano com a celebração de 12 de outubro, o dia da Santa Padroeira do Brasil. A cidade torna-se ainda mais colorida, plurivocal e barroca, fazendo-se mística e mágica.
Bernardo Dorf (São Paulo, SP, Brasil,1953) é pós-graduado em fotografia pelo Centro Universitário SENAC, São Paulo, 2010. Expôs individualmente seu trabalho Purple Rain em 2015 na Galeria Sancovsky, São Paulo. Desde 2011 participa de exposições coletivas em Curitiba, São Paulo e Paris. Publicou os livros: Zero to Infinite,2011; Plantel Renovado, 2015, Purple Rain,2015, Aica de Grand Bois, 2018, Orexia em 2020 e Go Shopping em 2024. Participa da publicação A Barca, com orientação de Marcelo Greco.








