Escrito a partir do assassinato de um amigo em Salvador, Sexo & Funeral, novo romance de Diógenes Moura ilustrado por Milton Mastabi, é um mergulho poético e perturbador nas margens do desejo, da paixão e da violência. O livro tem como fluxo principal o destino — aquilo que está por vir — e conduz o leitor por uma reflexão sutil sobre o próprio ato de escrever, em um jogo de presenças e ausências que atravessa toda a narrativa.
Com sua dicção peculiar e uma geografia humana profundamente particular, Moura constrói um mosaico literário em que realidade e ficção se confundem. Personagens reais e imaginários se cruzam em uma trama que desafia classificações, evocando a melancolia, o erotismo e o espanto diante da vida e da morte.
Em Sexo & Funeral, o autor cria imagens intensas e líricas que colocam o leitor em contato com a angústia e a perfídia: longos beijos à beira-mar, um baseado cheirando a patchouli no final da tarde, ruas molhadas em uma cidade sem rastros, joias de marcassitas, cabeças decepadas, o alfaiate iniciando uma vivissecção e o sol que impede o juízo de apodrecer. Nelas, ecoa uma pergunta central: “O que você sabe a respeito do vazio que é a melancolia?”.
Mais do que uma narrativa sobre um crime, Sexo & Funeral é uma obra sobre o silêncio que se instala após a perda — e sobre o modo como a literatura pode reinventar esse vazio. Quarenta e dois anos depois de um assassinato transformar uma ausência em uma ameaça, Diógenes Moura apresenta um romance comovente, de escrita abundante e sofisticada, que reafirma sua posição como uma das vozes mais singulares da literatura brasileira contemporânea.
Diógenes Moura nasceu em Recife. Morou durante 17 anos em Salvador. É escritor, curador de fotografia, roteirista e editor. Em 2011, com Ficção Interrompida – uma caixa de curtas ganhou o Prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte de Melhor Livro de Contos. Com O Livro dos Monólogos – Recuperação para ouvir objetos (2019) e Vazão 10.8 – A última gota de morfina (2021), foi semifinalista do Prêmio Oceanos. Minhocão, um livro devastador sobre solidão e desespero às margens do viaduto foi publicado em 2022. Em 2020 criou o selo autoral Exu de Dentro, onde publicou O Antiacarajé Atômico – Dias Pandêmicos, O Pinguelo Rígido – Um surto baiano (2023) e Os pseudocivilizados, o macaco cósmico e o cão (2024). Escreve sobre existência, imagem, abismo e abandono. Vive em São Paulo.

