“As cores não são qualidades da matéria, mas modos de luz”.
Essa frase de Isaac Newton consta em sua obra Opticks de 1704. O tratado aborda a reflexão, refração, difração e cores da luz, aspectos intimamente ligados à fotografia.
A cor é uma percepção da luz interpretada pelo cérebro a partir da observação de como as diferentes frequências do espectro luminoso são absorvidas ou refletidas pelos objetos. Assim, as cores que vemos não existem de fato: são interpretações do cérebro sobre variações nas frequências das ondas eletromagnéticas, que entendemos como luz. São apenas experiências sensoriais – maneiras que a mente humana encontrou para organizar e dar sentido ao mundo físico invisível.
Ademais, partindo do princípio de que não existem dois seres idênticos e, portanto, nenhum sistema orgânico funciona exatamente como o de outro, é razoável concluir que as pessoas não enxergam as cores da mesma forma.
Foi em meio a esse tipo de pensamentos que resolvi, há alguns anos, experimentar trabalhar com uma faixa do espectro luminoso invisível ao olho humano: o infravermelho.
O experimento tornou-se linguagem. A combinação de filtros com diferentes bloqueios de comprimentos de onda, as longas exposições, as situações de luz específicas, os assuntos escolhidos e as possibilidades de tratamento ou revelação digital abriram um universo fascinante de possibilidades para representar a paisagem sob uma perspectiva completamente não usual.
Tendo em vista o propósito maior de comunicar sobre as questões ambientais, o intuito com esse tipo de representação particular na fotografia de paisagem é driblar o afogamento visual do nosso tempo, afinal, ver o invisível é uma oportunidade para reaprender a enxergar o essencial. Pela peculiaridade estética das imagens, espera-se conseguir destaque na mente do observador, trazendo reflexão e fomentando a apropriação da natureza como parte fundamental e primordial de nossas vidas e não como um ente apartado de nossa existência.









