Essa publicação é fruto do meu mestrado realizado na Escola de Belas Artes da UFMG, em 2025, cujo título é Perceber a paisagem: o jardim como lugar de afeto, uma experiência no Bairro Jardim Canadá. Como forma de reunir parte da minha produção artística produzida durante a pesquisa, optei pela criação de um livro de artista – texto, fotografias e desenhos de fragmentos da paisagem desse lugar.
A paisagem árida do Jardim Canadá – com aspecto de sempre estar encoberta por uma camada alaranjada de minério e alterada pela sua extração – foi o que me fez pensar em trabalhar com os jardins de moradores. Uma enorme cava que se instalou ali ao longo de alguns anos e a contraforma da montanha agora invadem a paisagem. Um lugar permeado por uma tensão entre mineradoras, áreas de proteção ambiental, habitantes e trabalhadores.
Na direção oposta, os jardins são lugares íntimos de preservação: espaços que favorecem o convívio, constroem confluências e estabelecem relações mediadas pelo cuidado — seja com o outro, com a terra ou com os seres vivos que ali habitam. Ao contrário de retirarem algo, fazem brotar memórias, permanências e possibilidades de laços afetivos.




