Como trabalho em andamento através de um arco de tempo que já conta com seus três anos, e portanto como ação em fluxo enredada desde o palco do Espaço Aimorés, o Núcleo Contemporâneo da Sociedade Fluminense de Fotografia vem por semelhante modo apresentar a peça Diários de Impermanência em seu 3° Ato: Fuga.
Ato que encena por um palco em aberto uma fuga participativa a quem se queira disponível: e que vejo-o como fuga que convoca o público a narrativas sem desfecho, muito embora a sua duração visível se veja demarcada pela expressiva semana do Festival de Fotografia de Tiradentes.
Se bem pode ser entendido, em sua polissemia, tal qual o penso, como um ato que prossegue no contexto da tradição artística das Derivas, creio que essa fuga se esvai pelos anos em seu próprio exercício do efêmero como por um novelo a desfiar-se, impalpável, em processos coletivos que se articulam e que têm em vista um dissolver incontido da autoria.
Fuga que ao meu ver escapa dos eixos e das balizas conspícuas das disciplinas artísticas, embora possa fazer-se parecer como se mais outra exposição de fotografias montada em suportes de madeira compensada.
Fuga que também pode simular semelhanças com uma obra site specific pelo diálogo com o espaço e porque o rumo do seu rastro se instala de permeio no ambiente.
Decerto porém que Diários de Impermanência desde o começo do seu decurso se ateve às proporções dramáticas, tanto as arquitetônicas quanto as simbólicas, da teatralidade do belo sobrado da Rua Direita. E isso todavia para propor potencialmente ao público o ingresso em espaços outros, que sobem, quiçá, a mais amplos patamares: enfim, por degraus que não somente os estreitos e literais, conquanto pelo mesmo ingresso vença cada qual com os seus passos, e os invada desde o limite, mais abaixo, da calçada, transpondo o rasgo do portal já por si tão denso de suas inarráveis histórias.
Participam: Alice Bravo, Angela Roumillac, Antonio Machado, Antonio Paiva, Eliane Heeren, Fabrício Arriaga, Fátima Marchi, Margareth Garcia, Mariana Rezende, Simone Soares, Tereza Amaral.
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“Sonhar, imaginar e especular futuros”
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A Mostra é um momento privilegiado para a apresentação pública e aberta de portfólios, estimulando diálogos e conexões.